A pré-moldagem e a industrialização no setor da construção civil*

A construção civil, de modo geral, ainda enfrenta problemas antigos como a morosidade dos serviços, o desperdício de materiais e o baixo controle de qualidade das suas diversas etapas construtivas. Tais problemas têm sido constantemente estudados por pesquisadores e profissionais que ou importam e adaptam tecnologias consagradas de outros ramos industriais ou desenvolvem tecnologias próprias para a construção civil. Desse modo, muitas empresas têm reduzido esses problemas. Porém, talvez a forma mais efetiva de se enfrentar tais problemas e aumentar o grau de industrialização da construção civil ainda seja por meio do emprego massivo de pré-fabricados em todas as etapas construtivas, tornando a obra apenas um local de montagem de elementos produzidos em fábricas. No caso da etapa referente à execução das estruturas, por exemplo, essa industrialização tem sido buscada, há vários industrializao_no_setor_da_construo_1anos, por meio do emprego de elementos pré-moldados de concreto.

Não se pode precisar ao certo a origem da pré-moldagem. O próprio surgimento do concreto armado se deu com a pré-moldagem de elementos fora do seu local de utilização. Sendo assim, pode-se dizer que a pré-moldagem se iniciou com a própria invenção do concreto armado. Segundo o professor Augusto Carlos de Vasconcelos, a primeira notícia que se tem de uma obra no Brasil executada com a utilização de elementos pré-moldados trata-se do Hipódromo da Gávea, no Rio de Janeiro, executada no longínquo ano de 1926. Dessa forma, já são mais de 80 anos de emprego de pré-moldados de concreto no Brasil.

As indústrias de pré-moldados de concreto possuem atualmente uma gama extensa de produtos. Vigas, pilares, lajes, escadas, painéis, industrializao_no_setor_da_construo_2telhas, estacas, enfim, quase tudo na construção civil pode ser pré-moldado. Além disso, boa parte das obras de infra-estrutura também podem ser pré-moldadas em fábricas ou no canteiro. Apesar disso, muitas vezes os pré-moldados tem sido aplicados apenas em obras industriais e comerciais, tomando partido apenas de uma das suas características que é a redução do tempo de construção. Contudo, desde os anos de 1980, o pré-moldado de concreto atingiu um nível tecnológico bastante satisfatório no Brasil, o que o torna um produto confiável, de boa qualidade e com praticamente todos os seus detalhes de fabricação e ligações entre elementos resolvidos. Isso faz com que esses elementos possam ser empregados com vantagens técnica e econômica em quase todo tipo de obra.

As primeiras fábricas de elementos pré-moldados protendidos no Brasil datam dos anos de 1950, logo essa não é uma indústria recente. Entretanto, ela ainda é recente no estado de Goiás. Há apenas poucos anos foi implantada a primeira fábrica na região de Goiânia para produção de painéis alveolares protendidos, sem dúvida alguma um dos produtos pré-fabricados de concreto de maior sucesso e de maior aplicação na construção civil em todo o mundo. Dessa forma, foi disponibilizado ao mercado local um produto racional e de alto padrão de qualidade que pode contribuir com a industrialização da construção civil goiana.

industrializao_no_setor_da_construo_5Mesmo com a instalação recente de novas fábricas de pré-moldados em Goiás, uma parte muito pequena das estruturas de concreto executadas no Estado são pré-fabricadas. Isso pode ser comprovado por pesquisa recente realizada na Universidade Federal de Goiás, a qual mostrou que apenas 4% de todo o cimento consumido de janeiro a setembro de 2007 em Goiás foi destinado a indústrias de pré-moldados e artefatos de concreto. E, ainda, que das 243 indústrias instaladas em Goiás naquele ano e que consumiam cimento, apenas 68 disseram produzir pré-moldados, sendo que em sua grande maioria produziam lajes convencionais e treliçadas e pequenos galpões comerciais e rurais.

Esses números apenas confirmam a necessidade de se investir no crescimento e no fortalecimento das empresas goianas de pré-moldados de concreto, seja por meio de capital ou de inovação tecnológica. Dessa forma, disponibiliza-se para a construção civil goiana uma tecnologia eficaz para a sua industrialização, garantida por meio de empresas locais.

 

(*Daniel de Lima Araújo, Professor Doutor do Programa de Pós-Graduação em Geotecnia e Construção Civil da Universidade Federal de Goiás - Escola de Engenharia Civil da UFG)