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Aparecida de Goiânia recebe primeiro residencial com uso de automação de pavimentação na América do Sul

on 19 July 2019

Ainda aos poucos, a tecnologia da automação está chegando às obras de incorporação e desenvolvimento imobiliário, mas Goiás mostra seu pioneirismo nessa transformação.

Um condomínio fechado em implantação no centro de Aparecida de Goiânia, o Parqville Jacarandá,  é o primeiro, de toda a América do Sul, que terá suas ruas pavimentadas por meio da Machine Control - solução de geotecnologia que traz maior precisão na execução, durabilidade do asfalto e conforto ao usuário. 

Na prática, um sistema de geotecnologia guia todas as operações da motoniveladora através de uma estação total robotizada. O projeto de pavimentação é passado para o software, e o operador da máquina passa a atuar apenas como piloto. “Quem determina se a lâmina niveladora sobe ou abaixa, é o programa”, explica  Guilherme Oliveira, engenheiro cartográfico da Leica Geosystems, empresa responsável por trazer o sistema para o Brasil, que esteve em Aparecida de Goiânia para acompanhar o processo de execução. 

No processo de execução, o operador da máquina, que antes tinha de definir a movimentação das lâminas, passou a ter a função apenas de dirigi-la. Para isso, a etapa anterior, de elaboração de projeto, exigiu grande precisão nos dados, para o sistema de geotecnologia emitir comandos assertivos para a motoniveladora. A empresa que está desenvolvendo o condomínio, a Cinq Desenvolvimento Imobiliário, investiu na compatibilização do projeto através do Building Information Modeling (BIM), sistema em que o desenho é gerado em terceira dimensão, com levantamento detalhado de todas as medidas, tais como altura de meio fio, pontos baixos do terreno, entre outras. 

Graças a alta precisão de nivelamento, a eficiência do resultado é alta: a pavimentação têm uma margem de variação de apenas dois milímetros, enquanto no processo artesanal, executado pelo operador de máquina, ela pode chegar a três centímetros. “É essa variação mais alta que gera desconforto ao motorista, poças d’água nas chuvas, que certamente vão se transformar em fissuras, e necessidade de maior manutenção”, explica. Outro benefício da automação, ele explica, é o prazo de execução da obra, que chega a ser 40% menor. 

Mesmo na América do Sul, o Machine Control ainda é tratado como novidade. No Brasil, a tecnologia só foi devidamente notada pelas empresas brasileiras pelo setor em meados de 2012, observa Guilherme, que passaram a adotá-la em obras de infraestrutura como estradas, aeroportos e ferrovias. “Estamos mais atrasados, devido à crise econômica. No Chile, por exemplo, temos cerca de 200 obras com automação na pavimentação. No Brasil, apenas 40”, informa. Em obras de pavimentação de novos bairros e condomínios fechados, Aparecida de Goiânia surge como a pioneira em toda América do Sul. 

Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Sinduscon-GO),  Eduardo Bilemjian, a retomada da economia certamente vai incentivar o setor a sair do atraso em relação aos países vizinhos. “A redução de custos desencadeada pela diminuição da mão de obra, o adiantamento dos prazos de entrega e a eficiência nos resultados são grandes estímulos, mas antes de tudo é imprescindível que o construtor tenha um horizonte à frente para fazer investimentos, o que inclui novas tecnologias”, considerou.

O engenheiro Eduardo Oliveira, diretor da Cinq Desenvolvimento Imobiliário, observa que os pilares da empresa são conhecimento, inovação e qualidade, que resultaram na medida prática de trazer a tecnologia para a obra. “Seus resultados irão contribuir ainda mais com o conceito de acessibilidade dos nossos projetos, uma vez que a caminhabilidade pelo asfalto será mais regular, além de diminuir custos de manutenção futura para os moradores”, acrescentou.

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