Cinco décadas de legado na arquitetura e urbanismo em Goiás

Cinco décadas de legado na arquitetura e urbanismo em Goiás

O Grupo Quatro, um dos escritórios mais emblemáticos de arquitetura e urbanismo em Goiás, celebrou meio século de história em 2024. Fundado em 1974 por quatro visionários — Walmir Aguiar, Walfredo Antunes, Solimar Neiva e Luiz Fernando — o grupo marcou época ao apostar em um urbanismo moderno e ousado, numa época em que a prática ainda engatinhava no estado.

“Eu tinha acabado de voltar da Inglaterra, depois de dois cursos de graduação e alguma experiência profissional. Aqui em Goiás, não era comum arquitetos trabalharem com urbanismo. Mas começamos com casas, escolas, até chegarmos à Embaixada da Nigéria, e depois aos planos diretores de cidades inteiras”, relembra Luiz Fernando.

Com o passar dos anos, os sócios tomaram rumos distintos. Walmir abriu um restaurante; Solimar fundou outra empresa; Walfredo seguiu carreira no serviço público. Restou Luiz Fernando, que, sozinho, manteve o nome e o espírito do Grupo Quatro vivo. “Virou o Grupo Um, brincávamos. Mas a missão permaneceu: pensar a cidade e suas pessoas”, conta.

Um dos marcos dessa trajetória foi a criação do Instituto de Desenvolvimento Urbano e Regional de Goiás (INDUR), durante a gestão do governador Irapuan Costa Júnior. “A cidade tinha dois grandes problemas: mobilidade e gestão. Propusemos o instituto e ele foi criado, com o Walfredo assumindo a presidência. Foi um avanço enorme”, recorda Luiz Fernando.

Mas talvez o maior desafio da carreira tenha sido projetar Palmas, a nova capital do Tocantins. “Em 1989, o governador me chamou e disse: ‘Quero apresentar a cidade em três meses’. Não havia topografia, nem dados. Fizemos tudo na raça, sem computador. Foi cansativo, mas rendeu visibilidade e prêmios, inclusive do IAB”, orgulha-se.

O desafio do planejamento urbano em Goiás

O Arquiteto Luiz Fernando vê com preocupação os rumos do planejamento urbano no estado. “Os técnicos das prefeituras são competentes, mas falta gestão. Goiânia sempre teve planejamento, desde sua fundação. O problema é que ninguém segue. Quando falamos de Itumbiara, Anápolis, essas cidades tiveram planos diretores.  São bons planos e são executados, e isso dá qualidade de vida. Um plano é para dar qualidade de vida para as pessoas. Uma coisa é plano e gestão, a gestão do plano é muito fraca. Não tem cidade que tem qualidade de vida no Brasil, e olha a gente vai um pouco além nas cidades do Mato Grosso, tem muita cidade boa, Sinop, Lucas do Rio Verde, são cidades muito interessantes, que cuidaram do seu plano e estão cuidando, mas ainda há muita carência de cidade boa no Brasil”, assinala.

Segundo ele, o Plano Diretor acaba restrito a questões de uso do solo, sem articulação mais ampla entre mobilidade, equipamentos urbanos e qualidade de vida. “A cidade precisa funcionar como um sistema. Não adianta pensar só no carro, na bicicleta ou no pedestre isoladamente. Precisa integrar tudo”, defende.

Para o urbanista, o crescimento das cidades não pode ser contido, mas deve ser planejado. “Não dá para segurar o crescimento demográfico. Precisa planejar e implantar. Goiânia praticamente não tem mais para onde expandir. O caminho é aumentar a densidade, mas com qualidade”, explica.

Mobilidade e meio ambiente: os grandes nós urbanos

Luiz Fernando aponta a mobilidade como um dos gargalos mais críticos. “Estamos atrasados. O BRT que implantaram agora foi planejado há 50 anos. E a cidade segue perigosamente veloz para quem anda a pé ou de bicicleta. Falta olhar para o lado humano”, alerta.

Outro desafio é a adaptação das cidades às mudanças climáticas. “Ainda não acordamos para isso. A drenagem urbana, os fundos de vale, são importantes, mas é preciso um plano de emergência climática. As enchentes mostram isso todos os anos”, afirma.

O papel do arquiteto e a necessidade de fortalecimento institucional

Premiado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) pelos projetos urbanísticos de Palmas, Luiz Fernando lamenta o enfraquecimento da entidade. “O IAB sempre foi a voz política dos arquitetos. Com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU-GO), essa força se perdeu. O IAB quase desapareceu, e isso enfraquece nossa participação nas políticas públicas”, avalia.

Ele defende que os gestores públicos valorizem os planos já existentes. “O Plano Diretor de Goiânia é bom. Só falta o prefeito conhecer e executar. Há diretrizes, projetos, programas. Não precisa reinventar a roda”, aconselha.

Com 50 anos, o Grupo Quatro carrega o peso de uma história que ajudou a moldar as cidades goianas — e o desafio de continuar relevante em um cenário urbano cada vez mais complexo. Para Luiz Fernando, a missão segue a mesma: pensar a cidade para as pessoas, com planejamento, gestão e visão de futuro.

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