O novo papel do Engenheiro: além de executor, estrategista

O novo papel do Engenheiro: além de executor, estrategista

 

A Engenharia brasileira vive um momento de inflexão. Se antes o profissional era reconhecido sobretudo pela excelência técnica e pela capacidade de entregar obras complexas, hoje o setor exige algo além: visão de negócios, capacidade analítica, compreensão sistêmica da cadeia produtiva e atuação estratégica diante de mercados cada vez mais competitivos. Nesse cenário, formações avançadas como a Residência em Engenharia Civil, com base teórica no programa MBI – Master Business Innovation, fundado e promovido pioneiramente no Brasil pelo Sinduscon-GO, pela Fatesg/Fieg e pelo CREA-GO, tornam-se catalisadoras de uma mudança profunda no perfil do engenheiro moderno.

O programa reúne profissionais com até 4 anos de formados, que já atuam em construtoras, fabricantes, incorporadoras e empresas de infraestrutura, proporcionando uma imersão em temas que historicamente não faziam parte da formação tradicional. Gestão da inovação, estratégia empresarial, design de novos modelos de negócio, planejamento, análise de mercado e liderança são conteúdos que ampliam a atuação do engenheiro muito além dos limites do canteiro de obras.

As experiências relatadas pelos alunos da Residência revelam essa transformação. Muitos ingressaram buscando aprimorar competências técnicas ou compreender novas tecnologias construtivas, mas rapidamente perceberam que o diferencial do curso está em reposicionar a forma como enxergam o setor. Ao serem instigados a mapear oportunidades, analisar métricas corporativas, construir propostas de valor e conduzir projetos orientados à inovação, os participantes passam a desempenhar um papel mais estratégico dentro de suas organizações, além dos evidentes incrementos de conhecimento técnico.

Projetos desenvolvidos no âmbito do MBI demonstram essa evolução: diagnósticos de maturidade digital em construtoras, planos de expansão industrial, estudos de melhoria de produtividade com base em dados reais, implementação de rotinas de inovação contínua, identificação de erros com lições aprendidas e redesenho de processos para aumento de competitividade. Em todos esses casos, o engenheiro deixa de ser apenas o responsável técnico pela entrega e assume a postura de gestor, articulando equipes, avaliando riscos, construindo cenários e tomando decisões orientadas por indicadores.

Essa transição — do engenheiro executor para o engenheiro estrategista — é uma das mudanças mais significativas vividas pelo setor da construção nos últimos anos. A complexidade crescente das obras, a industrialização de processos, a integração digital e a necessidade de soluções sustentáveis ampliam o papel do profissional. O desempenho financeiro de empreendimentos, a experiência do cliente, o posicionamento competitivo das empresas e a adoção de tecnologias emergentes passam a fazer parte do seu escopo de atuação.

A educação continuada, portanto, emerge como motor de competitividade. Programas como a Residência em Engenharia Civil, protagonizada pelo Sinduscon-GO e que terá sua primeira turma formada em fevereiro de 2026, oferecem a ponte entre a base técnica sólida — característica da Engenharia — e as competências de gestão e inovação requeridas para liderar negócios no século XXI. Ao unir conhecimento técnico, visão estratégica e pensamento inovador, formam-se profissionais capazes de influenciar decisões de alto impacto e de impulsionar a modernização do setor.

O engenheiro que o mercado demanda é mais analítico, participativo e orientado a resultados, porém sem perder o rigor técnico. Ele entende pessoas, processos, finanças, tecnologia e mercado. Ele traduz desafios complexos em estratégias viáveis. Ele antecipa tendências, identifica oportunidades e lidera transformações. E, sobretudo, compreende que a Engenharia é, cada vez mais, uma atividade sistêmica e integrada, em que a capacidade de executar permanece essencial, mas a habilidade de pensar estrategicamente tornou-se determinante para o sucesso das organizações.

Cezar Mortari é engenheiro civil, mestre em Engenharia de Produção, vice-presidente do Sinduscon-GO e diretor técnico da IronBuild.

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